O Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA (GAO) criticou duramente a Marinha dos EUA por falhas persistentes em seus programas de construção naval, destacando os casos do Littoral Combat Ship (LCS), dos destróieres Zumwalt e das fragatas da classe Constellation. O órgão afirmou que, mesmo com um orçamento de construção naval quase dobrado nas últimas duas décadas, o número de navios em operação permanece praticamente o mesmo.

No caso da classe Constellation, o GAO apontou que a construção começou antes do projeto estar finalizado, o que levou a atrasos e mudanças extensas no design, apesar de a classe ser baseada nas fragatas europeias FREMM. O programa já está com três anos de atraso e reflete uma abordagem ineficaz que ignora boas práticas de engenharia e gerenciamento.

O GAO recomenda que a Marinha adote práticas modernas de design e construção usadas pela indústria naval comercial. Segundo o órgão, isso ajudaria a entregar navios com mais previsibilidade, dentro do prazo e do orçamento, superando os padrões falhos que vêm sendo repetidos nos últimos anos.

Além da classe Constellation, os programas do LCS e do Zumwalt também foram citados como exemplos de “casos comerciais fracos” que superestimaram o desempenho real dos navios. Ambos consumiram dezenas de bilhões de dólares além do orçamento inicial e entregaram menos do que prometido em termos de capacidade e valor estratégico.

Desde 2015, o GAO fez 90 recomendações para melhorar os processos de aquisição da Marinha. Embora o órgão tenha aceitado muitas delas, apenas 30 foram implementadas total ou parcialmente — as outras 60 continuam sem ação. Isso mostra uma resistência institucional a mudanças estruturais.

Outro ponto crítico é o atraso no programa dos submarinos da classe Columbia, que acumula pelo menos um ano de atraso e centenas de milhões de dólares em custos adicionais. Esse caso reforça a falta de eficiência da Marinha, mesmo em projetos considerados prioritários.

Enquanto isso, a China avança rapidamente. A Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy) já opera mais de 370 navios, incluindo pelo menos 153 combatentes de superfície importantes. Em comparação, a Marinha dos EUA mantém uma frota com menos de 300 navios há anos, mesmo com metas de expansão.

Com a China lançando um novo navio de guerra a cada quatro meses e os EUA enfrentando atrasos prolongados, a diferença numérica entre as duas frotas tende a crescer. O GAO alerta que, sem mudanças sistêmicas, a Marinha dos EUA corre o risco de ficar ainda mais atrás em termos de prontidão e poder naval.

Classe Constellation

Navy Shipbuilding: Enduring Challenges and Systemic Change Imperative

Este relatório do Government Accountability Office (GAO) para o Senado dos EUA em março de 2025 destaca os desafios persistentes na construção naval da Marinha, resultando em aumentos de custos, atrasos nas entregas e desempenho aquém do esperado. O GAO aponta que as práticas de aquisição da Marinha não evoluíram, repetindo erros de programas anteriores como o Littoral Combat Ship e o Zumwalt Class Destroyer. O relatório recomenda a adoção de práticas líderes da indústria comercial para melhorar a pontualidade e a previsibilidade, sugerindo uma mudança sistêmica na abordagem de aquisição da Marinha para alcançar seus objetivos de frota e manter a superioridade naval. A análise se baseia em múltiplos relatórios anteriores do GAO sobre os problemas de aquisição da Marinha.

Visão Geral:

Este documento de análise resume o testemunho da Diretora Shelby S. Oakley do GAO perante o Subcomitê de Seapower do Senado dos EUA, abordando os desafios persistentes e significativos na aquisição de navios pela Marinha dos EUA. O relatório destaca como as práticas atuais da Marinha têm consistentemente resultado em estouros de custos, atrasos nas entregas e navios que não atendem às expectativas de desempenho. A análise enfatiza a necessidade de uma mudança sistêmica, inspirada em práticas líderes da indústria comercial, para que a Marinha possa alcançar seus objetivos de frota e manter a superioridade naval em face de crescentes ameaças marítimas.

Principais Temas e Ideias:

  1. Estagnação da Frota Apesar do Aumento do Orçamento: Apesar de um aumento de quase o dobro no orçamento de construção naval nas últimas duas décadas, a Marinha não conseguiu aumentar o tamanho da sua frota conforme planejado. Segundo o GAO, “a Marinha não tem mais navios hoje do que quando lançou seu primeiro plano de construção naval de 30 anos em 2003.” Essa estagnação ocorre em um período de crescente competição estratégica e rápida modernização das frotas de adversários potenciais.
  2. Problemas Persistentes na Aquisição de Navios: O GAO tem reportado consistentemente que as práticas de aquisição da Marinha resultam em “crescimento de custos, atrasos nas entregas e navios que não têm o desempenho esperado.” Exemplos recentes, como o programa da fragata da classe Constellation, ecoam os problemas observados nos programas do Littoral Combat Ship (LCS) e do Destroyer da classe Zumwalt (DDG 1000). No caso da fragata, a construção do navio líder começou antes da conclusão do projeto, com um atraso previsto de pelo menos três anos.
  3. Casos de Negócios Fracos como Causa Raiz: Muitos dos problemas de aquisição da Marinha têm origem em “casos de negócios fracos” que superestimam a capacidade que a Marinha pode entregar dentro dos custos e prazos planejados. Esses casos de negócios deficientes resultam em um desequilíbrio entre os recursos planejados e as capacidades a serem adquiridas, levando a decisões de financiamento prematuras e à continuidade de programas mesmo quando seu caso de negócios se deteriora.
  • Exemplo do LCS e DDG 1000: Esses programas, que consumiram “dezenas de bilhões de dólares a mais para adquirir do que o inicialmente orçado,” entregaram “muito menos capacidade e capacidade aos usuários da frota do que a Marinha havia prometido.” Problemas como compromissos de financiamento baseados em requisitos instáveis, início da construção com projetos incompletos e tecnologias imaturas contribuíram para o subdesempenho desses programas.
  • Exemplo da Fragata da Classe Constellation: O programa da fragata demonstra “sintomas chave associados a casos de negócios deficientes,” incluindo compromissos de financiamento baseados em um projeto instável e o início da construção com progresso de projeto superestimado. Atrasos significativos e o congelamento da construção do navio líder, juntamente com o crescimento do peso que pode comprometer as capacidades planejadas, são consequências dessas práticas. “A embarcação líder está agora atrasada 3 anos e a construção está efetivamente paralisada enquanto a Marinha e seu construtor naval continuam a negociar requisitos técnicos cruciais associados ao projeto do navio.”
  • Exemplo do Navio de Desembarque Médio (LSM): O cancelamento da solicitação de proposta para o LSM devido a ofertas muito acima do esperado levanta questões sobre a compreensão realista dos custos e prazos do programa. A estratégia de aquisição inicial também não garantia a conclusão do projeto básico e funcional antes da adjudicação do contrato de construção, contrariando as principais práticas de projeto naval.
  1. Necessidade de Adotar Práticas Líderes da Indústria Comercial: O GAO argumenta que a Marinha não pode resolver seus problemas de aquisição “olhando para dentro de seu manual existente.” Em vez disso, deve “inovar usando práticas de projeto naval eficazes e comprovadas e abordagens de desenvolvimento de produtos que estão enraizadas nas abordagens de empresas líderes do setor em todo o mundo.”
  • Práticas de Projeto Naval Líderes: O relatório destaca a importância de completar o projeto básico e funcional antes de iniciar a construção, uma prática comum na indústria naval comercial. A decisão da Marinha de iniciar a construção da fragata antes da conclusão do projeto funcional é apontada como um desvio dessas práticas e uma causa dos problemas atuais do programa.
  • Práticas Líderes de Desenvolvimento de Produtos: O GAO sugere que a Marinha adote abordagens de desenvolvimento iterativas usadas por empresas líderes em outros setores. Esses ciclos iterativos de design, validação e produção, com engajamento contínuo com as partes interessadas e uso de ferramentas modernas como engenharia digital e manufatura aditiva, podem levar a entregas mais rápidas e capacidades mais alinhadas com as necessidades da missão.
  1. Implementação Insuficiente das Recomendações do GAO: Desde 2015, o GAO fez 90 recomendações à Marinha para melhorar suas práticas de aquisição naval. Embora a Marinha tenha concordado com muitas delas, apenas 30 foram total ou parcialmente implementadas, deixando 60 recomendações pendentes. A implementação dessas recomendações poderia contribuir significativamente para a melhoria dos resultados da construção naval.
  2. Implicações para a Estrutura de Forças da Marinha: Os problemas nos programas de construção naval, como o da fragata, representam uma ameaça aos planos de estrutura de forças da Marinha. O aumento da dependência de fragatas para atingir os objetivos de uma frota maior e mais capaz será “imperiled se a Marinha não conseguir superar os problemas significativos que este programa enfrenta.”

Citações Chave:

  • “Embora as ameaças marítimas tenham crescido, a Marinha não aumentou o tamanho de sua frota conforme planejado nos últimos 20 anos.”
  • “Ao longo desse período, o GAO constatou que as práticas de aquisição naval da Marinha resultaram consistentemente em crescimento de custos, atrasos nas entregas e navios que não têm o desempenho esperado.”
  • “A Marinha não pode esperar encontrar respostas dentro de seu manual existente.”
  • “As práticas líderes oferecem à Marinha um caminho de curto prazo para restaurar a credibilidade junto à frota operacional, ao Congresso e aos contribuintes.”
  • “Os desafios persistentes no cumprimento das metas de custo, cronograma e desempenho da construção naval resultaram em navios menos capazes, crescimento limitado da frota e diminuição da credibilidade da Marinha como guardiã do dinheiro dos contribuintes.”
  • “Os programas LCS e DDG 1000 da Marinha exemplificam os perigos de permitir que casos de negócios deficientes se agravem nos programas de construção naval da Marinha.”
  • “Os programas mais recentes de navios de superfície – os programas da fragata da classe Constellation (FFG 62) e do Navio de Desembarque Médio (LSM) – estão apresentando sintomas chave associados a casos de negócios deficientes.”
  • “A necessidade de garantir um projeto estável antes de assumir grandes compromissos com os programas é ainda mais enfatizada ao considerar as ramificações que as deficiências do programa podem ter nos planos de estrutura de forças da Marinha.”

Recomendações (Implícitas):

Embora o documento em si seja um testemunho e não uma lista formal de recomendações, ele aponta claramente para a necessidade da Marinha:

  • Fortalecer os casos de negócios para programas de construção naval, garantindo um equilíbrio realista entre requisitos, recursos e conhecimento do projeto.
  • Adotar e implementar plenamente as principais práticas de projeto naval, incluindo a conclusão do projeto básico e funcional antes do início da construção.
  • Explorar e integrar práticas líderes de desenvolvimento de produtos, como abordagens iterativas, engajamento contínuo com as partes interessadas e o uso de ferramentas digitais.
  • Implementar as recomendações pendentes do GAO para melhorar as práticas de aquisição.
  • Aprender com os erros do passado e aplicar essas lições aos programas de aquisição futuros.

Conclusão:

O testemunho do GAO pinta um quadro preocupante da situação atual da construção naval da Marinha dos EUA. Os problemas persistentes de estouro de custos, atrasos e desempenho inadequado estão impedindo a Marinha de atingir seus objetivos de frota em um momento crítico de competição global. A mensagem central é clara: a Marinha precisa urgentemente adotar uma nova abordagem para a aquisição de navios, inspirada nas melhores práticas da indústria comercial e focada em casos de negócios sólidos e projetos estáveis antes de grandes compromissos de construção serem feitos. A falha em realizar uma mudança sistêmica continuará a minar a capacidade da Marinha de manter a superioridade naval e atender às necessidades de segurança nacional.

Para acessar o documento na íntegra em inglês, clique aqui.

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J R

caramba, essa da classe Constellation é absurda, como começam a construção de um navio sem que o projeto esteja finalizado? Deve ter muita gente ganhando muito dinheiro com essa barrigadas da USN

Camargoer.

Olá JR. A ideia em si nem é boa nem é ruim. É possível começar a executar um projeto antes dele estar detalhado ou finalizado. Isso dá mais flexibilidade e mimetizar um processo evolucionário. Uma das vantagens é que algumas soluções técnicas são decididas pela própria experiência na execução ou evita-se retrabalho.., em princípio, pode reduzir o custo da parte de planejamento … mas tem que ser bem feito eu lembro que a ferrovia transcontinental dos EUA foi feita assim.., duas empresa começaram a construi-la a partir das pontas para se encontrarem em algum ponto intermediário… o detalhamento do traçado… Read more »

Underground

Vai muito longe acabamento de prédio residencial para projeto de navio onde alteram corredor com uma parte do navio já construída.

Camargoer.

Então… todo projeto precisa de revisões durante a sua execução… eventualmente, isso obriga até retrabalho. Quanto mais complexo, mais difícil é elaborar um projeto detalhado que tenha contemplando todos os detalhes.. a ideia de detalhar os projetos a partir do estado de execução serve para escolher as melhores soluções a partir do estado da execução, evitando retrabalho. A ideia de fazer um projeto combinando com a execução, quando bem feito, pode resultar em ganhos tecnológicos e econômicos… mas tem que ser bem feito. No caso dos navios da USN, a crítica deve ser feita ao modo como as coisas foram… Read more »

Pedro Sousa

Olha essa abordagem flexível de começar construção antes do projeto concluído é interessante de ser aplicado ao DDG(X), que precisará se adequar a novos sistemas de armas como mísseis hipersônicos, DEWs, novos sistemas, que ainda estão em desenvolvimento, enquanto se mantém em construção um projeto maduro e consolidado como o Arleigh Burke que pode compensar qualquer atraso. Pro caso do classe Constellation, que precisa substituir o fracasso da LCS, para obter grandes números quando se tinha as OHPs, a filosofia de trabalho deveria ser outra. Se escolheram um projeto “pronto” como a FREMM para ter celeridade na construção, a preocupação… Read more »

MMerlin

Depende do tipo de projeto Camargoer.
Para um projeto de software, concordo contigo.
Mas para um projeto de um roteador, um edifício, um automóvel, um navio, o modelo precisa já estar todo projetado e ter todas as especificações.
Claro que ajustes vão precisar ser feitos.
Referente ao exemplo de arquitetura interna que você deu, realmente existe.
Mas é um requisito apontado desde a sua concepção.
Assim, os engenheiros que modelam já fazem o projeto tendo este requisito como uma de suas bases.

Camargoer.

Olá. O exemplo de desenvolvimento de um software é muito bom Um outro exemplo de um projeto que deve estar detalhado antes da execução seria um reator nuclear… Eu seria muito tolo se defendesse que está abordagem “evolutiva” funciona para tudo.. agora, para o tipo de projeto que possa ser aplicada, tem que ter uma engenharia muito competente coordenando. Senão vai fracassar mesmo. Projeto de P&D são abertos.. a gente sabe como começa e mais ou menos como deve acabar.. o miolo é muito aberto… Nestes projetos de pesquisa, a gente tem muita oportunidade de aplicar está ideia de “evolução”..… Read more »

Last edited 1 dia atrás by Camargoer.
Alex Barreto Cypriano

O mestre Camargoer tem razão. Não raro se calcula, projeta e executa a fundação antes mesmo do cálculo e projeto executivo da estrutura estar completo. Como? Um engenheiro experiente pode calcular com suficiente precisão as cargas ou esforços na infraestrutura, antes mesmo de resolver os sistemas de equações que resolvem os esforços hiperestaticos da superestrutura, e entregar estes dados aas deliberações do engenheiro de fundações. Mas navio, penso, é um pouco diferente.

Camargoer.

Sim.. creio que um navio de combate demandaria uma coordenação bastante sofisticada.. é muito difícil, como mostra o fracasso do programa COnstallation..

Acho que usar esta abordagem para construir um navio militar pode ser complexa de muito difícil.

O erro não foi a abordagem de construção mas a incompetência na coordenação da engenharia responsável

Apontar que a causa dos problema foi a abordagem é poupar a incompetência da engenharia responsável pelos problemas do programa

Top Gun Sea

As Fremms são fragatas já consolidadas, projeto definido porém, a US Navy tem sempre que modificar aquilo que não é de sua altoria, como fizeram com a fuselagem do super tucano sem necessidade – a manifestação da pura arrogância. Eles querem fazer de uma fragata já desenvolvida em um destroyer, já alteram as dimensões, alteram o sistema de navegação, combate e radar, colocaram o poleiro de gaivota ou seja, um projeto novo aproveitando apenas uma grande parte do casco. O detalhe é que trata se de outro navio mas sem projeto, tudo alterado no croqui e/ou por e-mail provavelmente. Como… Read more »

Dalton

A “FREMM” não foi pensada para operar de forma sustentável no Oceano Pacífico e normalmente o “recheio americano” é mais pesado, foi, muito otimismo ou ingenuidade acreditar que a “Contelllation” seria apenas 15/20% diferente como no início mas isso rapidamente escalou. . Na década de 1990 os EUA construíram 12 navios varredores costeiros baseados na classe italiana Lerici e modificações também foram feitas, mas, aparentemente basear-se em um navio varredor é menos complexo que usar uma fragata como referência não se trata de “arrogância” . . E um “Type 055” não fica pronto em 24 meses. Entre o batimento da… Read more »

Top Gun Sea

Foi em parte uma sátira pois, jamais os americanos vão comprar armamento chinês, mas acredito que em 24 meses os chinas conseguem fabricar um Type 055 e sem aquele acabamento grosseiro e rugoso do Arleigh Burke recém lançado ao mar. A classe constellation está em processo de construção desde 2017. A demora foi exatamente por vários desvios no projeto. Acho que estão tentando fazer mais um Frankenstein do mar como LCS, DDG Zumwalt… . Quanto as FREMMS são tipo exportação atendendo qualquer oceano haja vista a altura e profundidade do seu calado e lembrando que elas foram oferecidas no Prosuper… Read more »

Last edited 1 dia atrás by Top Gun Sea
Top Gun Sea

Quanto se sustentar por parte de armamentos, radares, sensores, trata se de uma FREMM e são muito bem amparadas de armamentos e tecnologia, concebida dentro do meio tecnológico naval de maior relevância do mundo que é Itália, França, Alemanha e Suécia. E não deixa nada a desejar. Contudo o erro foi querer fazer da fragata FREMM um navio de guerra americano, como eu disse: os navios de combate da linha de frente para os P. A. da US Navy são sempre destroyers e cruzadores e não fragatas. Não discordo da necessidade da US Navy, todavia, ela deveria ao invés de… Read more »

Last edited 1 dia atrás by Top Gun Sea
Dalton

Fragatas como as da classe Oliver Perry fizeram parte do Grupo de Ataque de Naes e estavam incluídas nos Esquadrões de Destroyers “DESRON”, só que elas foram substituídas por um navio que acabou não atendendo novas exigências, o “LCS”. . Nenhuma marinha pode ter apenas “grandes combatentes de superfície”, a fragata fez e faz falta para a US Navy e como o “LCS” que no “frigir dos ovos” é uma fragata leve provou-se insuficiente partiu-se para uma fragata e na esperança de que usar um modelo já em serviço como base significaria menos custo e mais rapidez na entrega, optou-se… Read more »

Dalton

Entendi a sátira perfeitamente, meu ponto é que em 24 meses se dá o início oficial da construção até o lançamento, mas, a construção prossegue até o estaleiro entregar o navio e não há “mágica”, os chineses constroem mais navios, mas, não significa que construam mais rapidamente como a comparação que fiz. . Essa “rugosidade” é normal, dependendo da distância, ângulo, iluminação torna-se mais exacerbada, apenas isso. . A “Constellation” não está em construção desde 2017, foram feitos estudos iniciais dentro de um orçamento limitado com outras prioridades quando ainda haviam vários “LCSs” a serem entregues. . E sinceramente nem… Read more »

Mauro Oliveira

Esses projetos apenas evidenciam graficamente a corrupção brutal no complexo industrial-militar dos EUA.

Uma porta giratória Congresso-Pentágono-Corporações.

Dalton

Os EUA com o colapso da URSS ficaram “perdidos” quanto ao que fazer, já que não havia um inimigo à altura e previa-se que “apenas” Irã, Coreia do Norte e terroristas de maneira geral teriam que ser enfrentados. . Para essas novas ameaças o “LCS” e o “Zumwalt” pareciam adequados, mas, também as Alas Aéreas dos NAes passaram a focar em ataques terrestres e se passou a encomendar apenas um submarino por ano, nesse último caso isso apenas mudou em 2011 quando 2 passaram a ser encomendados. . Foi à rápida ascensão chinesa que finalmente “acordou” os EUA, mas, o… Read more »

Kayron

Admiro seu otimismo, mas infelizmente ele é injustificado como uma solução para os problemas da US Navy. O histórico da US Navy comprando/operando/mantendo seus navios não oferece esperança para seu futuro.

Adquirindo: LCS, Zumwalt, FFG-62, …
Operando: Fitzgerald, Porter, VLS TRAM, USNS Big Horn, …
Mantendo: Bonhomme Richard, Boxer, INSURV, …

Os problemas são múltiplos no governo e na indústria, mas vou selecionar uma palavra: Dinheiro. Muito para poucos e muito pouco para muitos.

Dalton

Os problemas de fato são múltiplos, mas, a transparência é excessiva o que permite que nós aqui no blog possamos elogiar – sim há coisas boas também ocorrendo – e criticar enquanto outras marinhas passam mais despercebidas. . Longe de querer fazer você mudar de ideia, mas, para quem acompanhou o fim da década de 1990 o “LCS” e o “Zumwalt” fizeram sentido. . Muitos aqui fazem comparações rasteiras com outras marinhas que não possuem as mesmas responsabilidades, não operam com alta intensidade desconhecem o pesado fardo imposto sobre o pessoal, isso acabou resultando por exemplo no que ocorreu com… Read more »

Kayron

Ainda bem que eles tem transparência, podemos ver exatamente os problemas inerentes da estrutura de força da USN. Só há duas soluções para consertar os problemas institucionais da USN, um é aumentar a BF ou diminuir suas responsabilidades, não estamos vendo acontecer nem uma coisa e nem outra. Como eu disse, seu otimismo é injustificado perante as soluções para os problemas inerentes da US Navy.

Dalton

Não diria “otimismo” apenas que minha compreensão é de que mudanças não ocorrem do dia para a noite e é sempre mais fácil criticar o passado com o conhecimento posterior dos fatos, ou talvez prefira ver o copo meio cheio – há coisas boas ocorrendo também – do que meio vazio 🙂

Macgaren

China avança mais rápido e gastando menos, esse é o maior detalhe

H.Saito

O problema é que o atentado de 11/09/2001 mudou todas as previsões de conflito para o qual o Zumwalt, os LCSs e outros navios mundo afora foram projetados.
Além disso, algumas tecnologias para as embarcações foram canceladas por razões políticas, o que acarretou na redução de sua capacidade.
Sobre o Constellation, entraram na onda de adquirir um navio com “componentes de prateleira”, que supostamente seria mais barato, mas se esqueceram que a embarcação escolhida não estava de acordo com os padrões da Marinha Americana.

Thrash Metal

A sorte da Marinha Brasileira é que não existe um GAO aqui no bostil, TCU é fichinha perto do GAO

Aéreo

A sorte das FA´s brasileiras é que no Brasil nem a imprensa, nem os órgãos de controle, nem a academia, nem ninguém se propõe a discutir defesa.

Marcelo

A imprensa (mídia) é financiada pelo capital financeiro internacional, por isso a imprensa só fala o dia todo na tv que tem que privatizar tudo .
A imprensa segue a ordem de quem paga pelo serviço.
A Mídia só pauta algum assunto de interesse nacional se algum pagar.

NEMOrevoltado

Este post foi feito com IA?

Esteves

O mundo Está sendo feito com IA.

Na padaria já tem.

Aéreo

Feito com IA não, mas traduzido com IA sim, e traduzido de forma confusa. “Casos de Negócios Fracos como Causa Raiz” deveria ser traduzido apenas como Business cases fracos como causa raiz. 
Se fosse traduzir tudo para o português o correto seria “Planos de negócios fracos como causa raiz”.
 

Alex Barreto Cypriano

Ok, os fatos são esses, mas, no caso das Constellation ou dos LSM o problema é maior que requerimentos ou projetos inconclusos (bodes espiatorios usuais) – trata-se, principalmente, da improdutividade final de uma indústria/manufatura inoculada por regras heteronomas vindas da reorganização logística e financeira do capitalismo. O fracasso (relativo) no caso dos LCS e dos Zumwalt estão associados com a alteração profunda do cenário de ameaça (da assimetria de insurgência/pirataria e Rogue States pra competição párea), alteração que era previsível mas que foi ignorada sob a cegueira do ganho imediato adoçado com ideologia excepcionalista. Um auto engano que uma nação… Read more »

Kayron

O caso do LSM é custo (alto) e prioridade (baixo).

Alex Barreto Cypriano

Prioridade alta pro USMC, que organizou vários MLR, Marine Littoral Regiment, e vinha fazendo experimentos com OSVs (Offshore Support Vessel) modificados (semelhantes aaqueles que vimos a China exibir em triunfo) pra desembarque dos JLTV não tripulados (ROGUE fires Carrier) portando casulos lançadores do NSM, Naval Strike Missile, (NMESIS Navy Marine Expeditionary Ship Interdiction System), no âmbito EABO, Expeditionary Advanced Base Operations, como prescrito no Force Design 2030 do General David Berger. A USNavy discordava do LSM com baixa survivability, o que era tolerado pelo USMC e o custo da survivability espiralou o custo do LSM, anteriormente LAW (Light Amphibious Warship).… Read more »

Kayron

Mas é uma prioridade baixa para a US Navy quem compra e vai operar os LSMs. https://news.usni.org/2024/12/17/landing-ship-medium-program-stalled-over-price-navy-cancels-industry-rfp Requirements churn and disagreements between the Navy and Marine Corps over a path forward have plagued the Landing Ship Medium for several years, since the program was previously called the Light Amphibious Warship. While the Marine Corps has pushed for a more affordable ship that’s built to commercial standards, the Navy’s requirements for improved survivability have increased the cost. … While the ship is a key part of the Marine Corps’ Force Design strategy, any platform that fulfills the requirement will get purchased out of the Navy… Read more »

Alex Barreto Cypriano

Não apenas a USNavy teria que pagar os LSM, mas teria também de tripular os tais. Daí a insistência no compromisso de adequada survivability por learned lessons, embora em outro contexto e época. O USMC vai se virar, como sempre, pra obter o que precisa pra cumprir sua missão. Mas como é isso do USMC ter arruinado a aviação da USNavy? O JSF tem três versões, o A da USAF, o B do USMC e o C da USNavy – mas os modelos B (embarcados nos anfibios big decks) e C são operados pelo USMC, inclusive esquadrões JSF Charlie que… Read more »

Kayron

Mas como é isso do USMC ter arruinado a aviação da USNavy?

Não alinhamento de capacidades do USMC e USNA com relação à restrições orçamentárias e logísticas à operação de ambas as variantes. Deve ser por isso que o USMC estejam priorizando só agora a versão “C”.

Dalton

O USMC está priorizando o F-35C porque com o passar do tempo
e uso pela US Navy percebeu que seu alcance maior é necessário para o Oceano Pacífico, seja operando a bordo de NAes ou de bases terrestres como se viu no emprego do FA/18 da versão “D” cujos últimos exemplares estão saindo de serviço.
.
Ainda assim se verá um número maior de “B” 280 versus 140 “C” haja visto que podem operar de Navios de Assalto Anfíbio e também de bases terrestres incluindo àquelas que não possuam longas pistas de voo e/ou não convenientemente bem preparadas.

Esteves

“Enquanto isso, a China avança rapidamente. A Marinha do Exército de Libertação Popular (PLA Navy) já opera mais de 370 navios, incluindo pelo menos 153 combatentes de superfície importantes. Em comparação, a Marinha dos EUA mantém uma frota com menos de 300 navios há anos, mesmo com metas de expansão.”

Esse é o problema. A uva. O gramado do vizinho. A eficiência da China X a burocracia norte-americana.

Emmanuel

A burocracia americana se deve muito a sua democracia.
A eficiência chinesa, a falta dela.

Indústria Americana, na Netflix, mostra bem isso.

https://www.brasildefato.com.br/2020/03/01/artigo-filme-industria-americana-mostra-precarizacao-do-trabalho-crua-e-desigual/

Esteves

Olá Emmanuel…

Bem, sim. Democracia e burocracia andam juntas mas, não precisa casar.

Carvalho2008

Isto tudo é fruto da doutrina de desencolvimento de armas americanas ainda da guerra fria.

Os americanos, apostavam em sua economia e assim, a usavam como ingrediente secreto.

Patrocianavam e financiavam projetos de equipamentos carissimos e tecnologicamente superiores, que inviabilizam aos Sovieticos concorrer…e funcionou….

Mas a China, bem a China….tem mais grana e custos menores….a formula nao funciona para com chineses.

Quando o hiato reduz e os recursos sao postos a prova, ficam as vezes evidentes os desperdicios e caminhos de projetos altamente arriscados…um luxo que ja nao é mais possivel dispor

Dalton

Tem um problema nessa análise amigo Carvalho, esses “tecnologicamente superiores” surgiram quando não havia mais a URSS e a China ainda não existia como uma ameaça. . O “Zumwalt” deveria operar no litoral de um possível adversário, para isso seria necessário que fosse mais “stealth” e mais caro, por outro lado não teria que lidar com ameaças aéreas, seria um navio especializado no ataque terrestre com 2 canhões e grande quantidade de “Tomahawks”. . O “LCS” por sua vez deveria ser uma fragata barata que em questão de poucos dias poderia mudar de função, seja anti submarino, anti minas ou… Read more »